Football Memorian

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A seleção Húngara.
09 janeiro, 2007

Tudo começou em 1945 com o fim da Segunda Guerra Mundial. A Hungria tornou-se um dos países sob tutela do regime stalinista da URSS que se caracterizava, como os outros governos socialistas, pela repreensão brutal aos descontentes. Era preciso então gerar algum contentamento. O Então vice-Ministro dos Esportes Guzstáv Sebes recebeu a missão de preparar uma invencível Seleção. O time nacional passou a ser propriedade do Governo. O vice-Ministro passou o ano de 1949 junto com o técnico Gyula Mandi(sim, aquele mesmo que treinou o América do Rio em 57) garimpando jogadores pelo país. Assim que recrutou os atletas, Sebes pôs todos no Kispest FC, de Budapeste, que virou o time do Exército. Esses jogadores húngaros eram conhecidos por serem indisciplinados fora das quatro linhas. O craque da equipe se chamava Ferenc Puskas.
O futebol húngaro era dominado pelo Ujpesti Dozsa e pelo Ferencvaros. Mas após isso, o Kispest(agora chamado Honvéd) os fez tornarem-se meros coadjuvantes. Para manter o equilíbrio, Sebes permitiu que outro time, o MTK, tivesse algumas estrelas também, equilibrando assim o campeonato.

A estréia dessa seleção foi com uma derrota de 3x2 para a Áustria em Viena no dia 14 de maio de 1950. Mas no jogo de volta, começava a saga de um dos maiores times já vistos no mundo. Vitória de 5x3 sobre a Polônia em Varsóvia.
Em 1952 nas Olimpíadas de Helsinque, na Finlândia, Guzstáv Sebes finalmente apresentou ao mundo a sua criação. A medalha de ouro veio com uma campanha perfeita: 5 vitórias em 5 jogos. Com 20 gols marcados e 2 sofridos(2x1 na Romênia, 3x0 na Itália, 7x1 na Turquia, 6x0 na Suécia e 2x0 na Iuguslávia).
Em 53, a máquina húngara mostrou realmente sua cara e surpreendeu o mundo. Naquele ano, a Inglaterra vivia um momento de especial encantamento consigo mesma. Confirmar, mais uma vez, a hegemonia no futebol mundial era apenas um detalhe. Em Wembley, a Inglaterra jamais havia perdido. No dia 25 de Novembro, 100 mil pessoas lotaram o estádio e a partida de fato terminou com uma soberba goleada: 6x3. Mas a favor da Hungria. A revanche já estava marcada: em 54, um mês antes do início daCopa. A Inglaterra, desta vez mais bem preparada, entrou no Népstadion de Budapeste e foi arrasada denovo: 7x1. Não restavam mais dúvidas da qualidade daquele time. A dúvida agora era saber quem seria o vice-campeão do mundo.

A Copa do Mundo
Nas eliminatórias, a Hungria se classificou graças à desistência da Polônia.
A Hungria caiu na chave de Turquia, Alemanha e Coréia do Sul, a Turquia era a outra cabeça de chave, então não enfrentava a Hungria.
Estréia: Hungria 9x0 Coréia do Sul

No estádio Hardturn, é óbvio que não houve confronto. Foi apenas um treino para a Hungria. Ninguém esperava que os coreanos fossem criar dificuldades, mas ninguém pensou que seria tão fraco. Os jogadores não conseguiam nem fazer faltas para parar o mágico ataque húngaro.
Gols: Puskas 12' e 89'/ Lantos 18'/ Kocsis 24', 36' e 50'/ Czibor 59'/ Palotas 75' e 83'
Hungria - Grosics; Buzansky, Lantos, Bozsik, Lorant, Szojka, Budai, Kocsis, Palotas, Puskas e Czibor. Téc: Gustav Sebes
Coréia do Sul - Duck Young; Kyu Chong, Byung Dae, Yae Seung, Chang Gi, Young Kwang, Nam Sik, Il Kap, Nak Woon, Sang Kwoo e Chung Mim. Téc: Young Shik Kim

Enfrentando os Anfitriões: Hungria 8x3 Alemanha

O Técnico alemão, sabendo que o time dificilmente venceria, surpreendeu a todos ao entrar com vários reservas em campo. Ao invés de expor a equipe a uma dura disputa com poucas chances de vitória, preferiu poupar vários jogadores para o jogo de desempate contra a Turquia. A Hungria fez o que tinha de fazer. Kocsis marcou mais 4 gols. Mas o pior aconteceu: aos 15 minutos, Puskás levou uma entrada por trás, caiu de mal jeito e sofreu uma séria torção no tornozelo, tendo que jogar o resto da copa no sacrifício.
Gols: Kocsis 3', 21', 67' e 78'/ Puskas 17'/ Pfaff 25'/ Hidegkuti 50' e 54'/ Joszef Toth 73'/ Rahn 77' e Hermann 81'
Hungria - Grosics; Buzanszky, Lantos, Bozsik, Lorant, Zakarias, Joszef Toth, Kocsis, Hidegkuti, Puskas e Czibor. Téc: Gustav Sebes
Alemanha Oc. - Kwiatkowski; Bauer, Kohlmeyer, Posipal, Liebrich, Mebus, Rahn, Eckel, Fritz Walter, Pfaff e Hermann. Téc: Sepp Herberger

A Batalha de Berna: Hungria 4x2 Brasil

As 40.000 pessoas que compareceram ao Wankdorf em Berna, jamais esperava ver de duas das seleções favoritas um jogo como este, que se tornou uma batalha para ser esquecida do futebol mundial. A Hungria em 7 minutos logo fez 2x0. O Brasil começou a pressionar e os húngaros nervosos partiram para o jogo duro. Aos 18 minutos Índio sofreu pênalty e Djalma Santos fez o primeiro do Brasil. Em um momento, o meio campo Hidegkuti deu um chute na canela do Brandãozinho, fora do lance. O brasileiro foi atrás do adversário e o derrubou com um excelente soco na orelha. O árbitro nada viu. Aos poucos o jogo foi virando a batalha. Nilton Santos e Pinheiro chegaram juntos em cima do Toth e este saiu do gramado mancando. Aos 15 do segundo, Pinheiro toca a bola com a mão e faz pênalty para a Hungria. 3x1. 6 minutos depois, Julinho Botelho marca um dos gols mais espetaculares da copa, 3x2. Mas a violência continuava. Nílton Santos e Bozsic se estranharam, trocaram empurrões e chutes e acabaram expulsos. Aos 40 minutos, Humberto deu uma voadora em Loránt e também foi expulso. Com 9 em campo o Brasil só aguentou mais 3 minutos quando Kocsis fechou o placar. Após o jogo, Maurinho deu um soco em Czibor. O Jornalista brasileiro Paulo Planet Buarque derrubou um guarda suiço que tentava acalmar os jogadores. No túnel, Puskas(que não jogara) acertou a testa de Pinheiro com uma garrafada e o técnico Brasileiro Zezé Mota acertou o Húngaro Guzstav Sebes com uma chuteira.
Gols: Hidegkuti 4'/ Kocsis 7' e 88'/ Djalma Santos 18'/ Lantos 60' e Julinho Botelho 65'
Hungria - Grosics; Buzansky, Lorant, Lantos, Bozsik, Zakarias, Joszef Toth, Kocsis, Hidegkuti, Mihaly Toth e Czibor. Téc: Gustav Sebes
Brasil - Castilho; Djalma Santos, Pinheiro, Nílton Santos, Brandãozinho, Bauer, Julinho Botelho, Didi, Índio, Humberto e Maurinho. Téc: Zezé Moreira


Semi Final: Hungria 4x2 Uruguai

A Hungria marcou logo no começo, como era de tradição. Mas o jogo estava difícil. No começo do segundo tempo, os craques militares fizeram 2x0 aos 2 minutos. Mas eles pararam de atacar. E o Uruguai, assumindo o domínio do jogo empatou. Íamos para a prorrogação. Esses 30 minutos que se seguiram foram de pura arte. Qualquer dos dois times poderia ter saído vencido. Mas Kocsis fez dois, com duas precisas cabeçadas. No fim, a torcida agradeceu de pé pelo espetáculo.

O Milagre de Berna: Alemanha 3x2 Hungria

A Alemanha crescia a cada jogo. Puskas estava de volta, mas não 100%. Em menos de 10 minutos, Puskas fez um gol num chute cruzado, após a bola ser lançada por Kocsis e Czibor fez outro. 2x0 Hungria. Mas a Alemanha reagiu rápido e em 7 minutos empatou o jogo. Nenhum húngaro reclamou da falta sobre Grosics no gol de empate da Alemanha por um motivo: eles nunca reclamavam do juiz. O erro logo seria compensado com uma chuva de gols. Mas isso não aconteceu. Os alemães tomaram conta do jogo. E a Hungria mostrou desgaste devido à prorrogação com o Uruguai e a Batalha com o Brasil. Faltando 6 minutos para o final, Schafer recuperou a bola no meio campo, correu pela esquerda e cruzou pra área. Quatro jogadores saltaram juntos e a bola sobrou para Rahn, que veio sozinho de trás, driblou Lantos e desferiu o golpe final. O gol do título. A platéia custou a acreditar, mas o placar era este mesmo: Alemanha 3x2 Hungria. A máquina havia sido derrotada.

Até a derrota na final da Copa do Mundo de Futebol de 1954 a seleção húngara ficou 29 partidas invictas, entre 14 de maio de 1950 até 4 de julho de 1954, data da final da copa.
Gols: Puskas 6'/ Czibor 8'/ Morlock 10'/ Rahn 18' e 84'
Alemanha Ocidental - Turek; Posipal, Kohlmeyer, Eckel, Liebrich, Mai, Rahn, Morlock, Ottmar Walter, Fritz Walter e Schäfer. Téc: Sepp Herberger
Hungria - Grosics; Buzansky, Lorant, Lantos, Bozsik, Zakarias, Joszef Toth, Kocsis, Hidegkuti, Puskas e Czibor. Téc: Gusztav Sebes

Neste vídeo você pode conferir os jogos das semi-finais e final da Copa de 54:


Em 1956 a Seleção Húngara se desfez quando houve uma revolução contra o domínio soviético no país. Vários jogadores saíram do país, como os craques Kocsis e Puskas.
Desde os anos 70, o futebol húngaro está em decadência. Hoje a Hungria é apenas mero figurante nas eliminatórias européias.


Király; Fehér, Vanczák, Juhász e Leandro; Gera, Títh, Dárdai e Huszti; Szabics e Torghelle. Esse grupo de desconhecidos, em que o goleiro Király e o meia Dárdai são os nomes menos obscuros, é a seleção da Hungria que entrou em campo e perdeu para Malta (!!!) nas Eliminatórias da Euro 2008. Nem parece ser o mesmo país que gerou craques como Puskás, Albert, Kocsis, Farkas, Czibor, Kubala, Bozsik, Sárosi, Hidegkuti, Tichy, Bene e Zsengellér, entre tantos outros. Evidência clara de como o futebol húngaro está decadente.

Ótima reportagem sobre a atual sele?ão húngara no Balípodo


Fontes:
Wikipedia
Revista Placar: Especial Copa de 54
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